Acordar ao seu lado, esse eterno amanhecer por dentro, um sol interno tão aceso, essa alegria gratuita. E existe algo em nós que é tão recíproco, cúmplice e intenso. Dos nossos olhares que dizem tanto sobre tudo, silenciosamente. Um movimento de corpo que é tão ao encontro o tempo todo. Da compreensão e paciência a que nos dedicamos diariamente. E o amor que permeia tanta poesia, e a poesia que se entrega inteira pras palavras que querem dizer do abraço. Seu corpo tão moldado ao meu, natureza líquida de água e jarro. Você me conduzindo à fonte de todas as coisas, lá onde o desejo se origina. E nada míngua com o passar do tempo e mesmo acreditando não ter mais espaço, cresce, flui, se imensa clareando o que era escuro e frio. Cada vez mais e mais eu preciso dizer do amor. Dessa ternura delicada. Cada vez mais o amor sendo a melhor experiência. Cada vez mais eu percebendo que se nada no mundo é definitivo, nossa história eu sei perene. Uma primavera inaugurada a cada dia. E mesmo que nada possa ser eterno, mesmo que o “pra sempre” não exista, eu sei que vou seguir te amando, pelo menos, pelos próximos 99 invernos.

Desboto-me no teu entusiasmo, porque a alegria que possuis jamais pude eu te dar. Em despedidas de conversas que não morreram de velhice, eu fiz de teu corpo a ânsia do meu corpo, como se dissolvesse a acidez de meu pranto no reluzir dos olhos teus, que me despetalam, sempre como a primeira vez. Tu és a eterna novidade que experimento a cada manhã, cada riso frouxo teu que não compreendo, mas que admiro com a ingenuidade de uma criança Tu, que alicerças meus desejos e desmorona-me as possibilidades, é a ti que me ponho a esperar como um rouxinol que espera a aurora para alçar voo.

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